13/07/2017 - Vereador ex-instrutor do Proerd teme fim do programa na região

Instrutor do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) por 10 dos 26 anos dedicados à carreira militar, o vereador e policial aposentado de Engenheiro Beltrão, Valdir Hermes da Silva (PSDB), mais conhecido como Valdir Americano, teme a extinção do programa na região da Comcam. Segundo ele, a falta de efetivo para a execução do programa é a principal dificuldade.

Para se ter ideia, só 2 policiais militares vêm atuando para atender todos os 25 municípios da Comcam e um destes deve se aposentar no próximo ano. Há 8 anos, eram 9 os policiais que atuavam pelo Proerd. Ou seja, houve uma redução bastante drástica de pessoal. “Medidas urgentes precisam ser adotadas para resgatar o Proerd”, alertou o vereador. Segundo ele, se nada for feito, dentro de dois ou três anos, o programa pode deixar de existir.

Valdir Americano comentou que depois que houve a junção do Proerd com a Patrulha Escolar, o Estado cessou concurso para contratação de policiais militares especialmente para o programa. “Houve uma preocupação maior do comando no âmbito estadual de uma polícia de prevenção nas escolas e não o policial na sala de aula. Na visão de alguns comandantes um policial na sala de aula seria um a menos na rua”, disse.

O vereador comentou que houve uma preocupação no Estado, nos últimos anos, por parte do comando da Polícia Militar com a repreensão e na com a prevenção. “Nós que conhecemos a realidade, a grande verdade é que temos de evitar que essas crianças cheguem no caminho do mal e às drogas para que não se tornem os bandidos de amanhã.  Eu costumo dizer que o mal está bem organizado, nós temos que organizar o bem também. E devemos começar isso na base, com as crianças prevenindo”, prosseguiu.

Com caráter social preventivo, o Proerd foi implantado no Paraná em 1992, seu objetivo é prevenir o uso de drogas, inserindo nas crianças a necessidade de desenvolver as suas potencialidades. O programa consiste numa parceria da Polícia Militar, através de policiais instrutores, educadores, pais e comunidade para oferecer atividades educacionais em sala de aula, a fim de prevenir e reduzir o uso de drogas e a violência entre crianças e adolescentes.

O programa tem por objetivo a prevenção ao uso de drogas entre crianças em idade escolar, o qual é desenvolvido através do fornecimento de informações aos estudantes sobre álcool, tabaco e drogas afins; ensinar os estudantes, as formas de dizer não às drogas; ensinar os estudantes a tomar decisões e as conseqüências de seus comportamentos; e trabalhar a auto-estima das crianças, ensinando-as a resistir às pressões que as envolvem. Leia a entrevista abaixo com o verador.

 

 

Porque o Proerd corre risco de extinção na região?

Depois que houve a junção do Proerd com a Patrulha Escolar, o Estado cessou concurso para contratação de policiais militares especialmente para o programa. Houve uma preocupação maior do comando no âmbito estadual de uma polícia de prevenção nas escolas e não o policial na sala de aula. Na visão de alguns comandantes um policial na sala de aula seria um a menos na rua.

 

Desde quando o senhor vinha alertando sobre este risco?

Já tem 8 anos  que venho falando da situação. Algumas pessoas até acham que sou muito fanático nesta causa, mas eu só me preocupo muito com isso porque conheço os dois lados da moeda. Eu sei o trabalho que um dependente químico tem para se livrar do vício das drogas, por isso a nossa preocupação.

 

Quantos policiais atuam no Proerd na região?

São apenas dois policiais para atender todos os 25 municípios da Comcam. É impossível o policial dar conta. E um destes policiais se aposenta no ano que vem, ou seja, vai ficar apenas um para atender toda a demanda.

 

Qual seria o efetivo necessário para atender a demanda?

Acredito que o programa deveria ter hoje na região pelo menos 9 policiais, a quantidade de 8 anos atrás.

 

O que o senhor tem feito para solucionar o problema?

Estamos nos reunindo frequentemente em Curitiba com o Governo do Estado para expor a situação. É uma preocupação muito grande. Eu sei que os municípios, as crianças e as famílias precisam do programa. Talvez até um grande mutirão de abaixo assinado dos municípios seria importante para sensibilizar o nosso governo do estado para conseguir retomar novamente o Proerd a nível de região e de Estado, porque é o que precisa acontecer.

 

Que apelo o senhor faz em relação ao Proerd?

O grande apelo que eu faço é que o comandante geral da Polícia Militar, o governo do Estado, os deputados, prefeitos e vereadores se preocupem mais com esta causa. E os prefeitos e vereadores exijam do Estado para que mais policiais façam a capacitação e mais policiais venham a trabalhar no Proerd, independente de ele ser voluntário ou não, mas que se tenha mais policiais no Proerd. Se for o caso que se tire da Patrulha Escolar e ofereça a capacitação para atender essa demanda. Hoje se você observar não temos nenhum tipo de curso nessa área.

 

A união dos prefeitos é válida para restabelecer o programa?

Com certeza. Porque através dos prefeitos e dos próprios vereadores essa demanda vai chegar até o governo do estado. Se for o caso temos até policiais  que estão na reserva e se aposentaram e podem ser capacitados para o programa. Eu, por exemplo, estou levando até o comando que se o Estado me aceitar eu volto a dar aula do Proerd voluntariamente, sem remuneração nenhuma. É uma coisa que eu gosto de fazer, que eu quero fazer e posso fazer. Eu posso ajudar o estado atendendo até 3 municípios. Isso não vai me causar nenhum transtorno e nem atrapalhar o meu mandato de vereador.

 

Qual seria a solução para o problema?

Mais policiais exclusivamente para o programa. Mas nós precisamos de uma solução imediata. Não podemos nem esperar a contratação de mais policiais. Temos que pegar aqueles que já estão no quadro, capacitá-los e motivá-los para o Proerd. Temos que pensar na repreensão na rua sim, mas sem esquecer da prevenção também.

 

Fonte: Walter Pereira/Tribuna do Interior

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24/07/2017