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Notícia

Walter Pereira/Assessoria Acamdoze

Agroecologia é uma forma de agricultura sustentável que retoma as concepções agronômicas anteriores à chamada “Revolução Verde”. São chamadas de agroecologia as práticas de agricultura que incorporam as questões sociais, políticas, culturais, energéticas, ambientais e éticas. A agroecologia e produção orgânica métodos que caminham juntos. A agricultura orgânica, por sua vez, também chamada de biológica, é um tipo de agricultura alternativa que tem por finalidade a oferta de produtos saudáveis, priorizando a qualidade do alimento. É realizada por meio de técnicas específicas que contrapõem a utilização de agrotóxicos e fertilizantes em todas as fases do processo.

Devido a importância do tema para uma vida saudável, a Associação das Câmaras Municipais da Microrregião Doze (Acamdoze), realizou uma reunião online, via plataforma Zoom, na tarde dessa quarta-feira (10), abordando o assunto, reunindo autoridades e especialistas da área.

Participaram do evento: Karen Firman, representando o Codesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul); o gerente estadual de Agroecologia no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Marcio Miranda; o engenheiro agrônomo da Evolust Biotecnologia, Geraldo Dan; a promotora de Justiça de Campo Mourão, Rosana Araújo de Sá Ribeiro, coordenadora do Gaema (Grupo de Atuação Especializada
em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo); o coordenador do Condescom (Consórcio do Desenvolvimento da Comcam), Renato Lima; o secretário da Agricultura de Engenheiro Beltrão, Pedro Paulo; o engenheiro agrônomo do IDR-PR, André Miguel; o gerente Regional do IDR-PR de Campo Mourão; Jairo Quadros; o presidente da Acamdoze, Luiz Tavares Rosa, entre outras autoridades.

O gerente estadual de Agroecologia no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Marcio Miranda, destacou que agroecologia está entre os pilares do IDR-PR porque existe uma demanda crescente da sociedade para obtenção de alimentos mais seguros, levando em consideração os cuidados com a natureza no seu processo de produção. “Esta demanda por alimento seguro e de qualidade é expressiva”, ressaltou.

Ele disse que no Paraná existe o desafio de produzir alimento orgânico em volume suficiente para atingir 100% da alimentação escolar até 2030. Hoje a taxa é de cerca de 30%. “É uma meta ousada, mas vamos conseguir passo a passo. Temos muito para caminhar”, frisou. Na região da Comcam, atualmente cerca de 22 mil alunos consomem alimentos da agricultura orgânica.

 

Cinturão Verde

O gerente Regional do IDR-Paraná, em Campo Mourão, Jairo Quadros, lembrou que a região tem o compromisso da implantação do cinturão verde nos município, ou as chamadas cortinas verdes, para impedir a deriva de agrotóxicos no meio urbano. “Como a gente conversa com os produtores para esta redução, o uso de agrotóxico em torno das cidades é algo muito criterioso. Na região alguns sericicultores vêm enfrentando prejuízos com pulverizações aéreas. Não podemos deixar o problema acontecer para depois tomar a atitude”, alertou. “Não queremos atrapalhar a vida de quem produz,  temos que gerar renda sim, mas não podemos mais deixar o cidadão pulverizar em cima das casas e das pessoas”, ressaltou.

Neste sentido, a promotora de Justiça de Campo Mourão, Rosana Araújo de Sá Ribeiro, coordenadora do Gaema (Grupo de Atuação Especializada
em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo), comentou que o Ministério Público tem um trabalho regional sobre a proibição de aplicação de agrotóxicos em área urbana.

“Na nossa região do Gaema temos trabalhado na questão das cortinas verdes. A proposta nossa é de criação de leis nos municípios proibindo aplicações de agrotóxicos em região periurbanas até
300 metros sem cortina verde e 50 metros com cortina verde”, falou. Na área de ação do Gaema, 16 municípios já legislam neste sentido. “Precisamos produzir sem agrotóxicos”, falou.

 

Agricultura orgânica

em crescimento

O engenheiro agrônomo do IDR-PR, André Luiz Miguel, comentou que a área de agricultura orgânica certificada no mundo é de 72,3 milhões de hectares, maior do que a área de grãos brasileira. Envolve mais de 3 milhões de agricultores em um mercado de mais de 3 bilhões de euros. “No Brasil temos visto um crescimento bastante significativo nas últimas décadas entre 15% a 20% ao ano. Porém no ano passado, com a situação da pandemia o crescimento por alimentos orgânicos teve uma demanda ainda maior, de cerca de 40%”, informou. Ele justificou o crescimento abrupto porque as pessoas estão procurando alimentos mais saudáveis para a saúde durante a pandemia.

 

Evolust Biotecnologia

Acompanhando o crescimento da demanda por produtos orgânicos, já existe na região, inclusive, uma empresa que fabrica defensivos agrícolas naturais. É a Evolust Biotecnologia, em Mamborê, que tem como idealizador o engenheiro agrônomo da Geraldo Dan.

“Sou adepto a mudança, tanto é que industrializo produtos da linha de defensivos agrícolas naturais para olericultura e para culturas anuais, como soja, milho, feijão, entre outras”, falou, ao comentar ser totalmente contra defensivos agrícolas utilizados na merende escolar.

Geraldo, inclusive, foi vítima de agrotóxico por pulverização área. “Há 35 anos fui intoxicado por um avião que abriu e me encobriu todo de veneno. Os ingredientes ativos deste agrotóxico se manifestaram ao longo dos anos e enfrentei um câncer. Graças a Deus venci”, relatou.

 

Codesul

Karen Firman, do Codesul, comentou que o Conselho está à disposição para auxiliar os municípios com as ações. “Vou conversar com o secretário Wilson [Quinteiro] para a gente auxiliar neste sentido de aproximar. O Codesul não executa, mas auxilia nas articulações. Então vocês apresentando da demanda poderemos dar continuidade”, afirmou.

 

Tema de relevância

O presidente da Acamdoze, Luiz Tavares Rosa, vereador de Engenheiro Beltrão, destacou a importância do tema discutido. “É um assunto de grande relevância para todos. Hoje todo mundo está procurando por alimentos mais saudáveis. Acreditamos que a Acamdoze, em parceria com o IDR-PR, Codesul, entre outros parceiros podem atuar no sentido de fomentar o crescimento da produção de orgânicos na Comcam, gerando mais renda ao agricultor familiar, levando alimentação mais saudável para a população”, destacou Rosa, ao agradecer todos os presentes na reunião. 

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